expedição ou viagem?

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sam_nunes
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expedição ou viagem?

Mensagem por sam_nunes »

Enquanto ando a preparar a nossa ida a MArrocos , e apesar de ir com pessoas experientes e conhecedoras do terreno , vou procurando algo que me pode ser util. assim encontrei este texto que pode servir para mais alguem ou mesmo para tirar duvidas




O que é uma Expedição ?

Esta é a primeira pergunta que nos fazem quando contamos que estamos planejando uma nova Expedição. Porque chamá-la “Expedição” e não “viagem”? Existem algumas premissas que distinguem uma viagem de uma expedição. Segundo o dicionário do Aurélio, viagem significa “o ato de ir de um a outro lugar” e expedição significa “grupo que se destina a explorar uma região”. Ou seja, algo mais do que um simples deslocamento. A expedição implica em descoberta, não necessariamente algo que nunca foi descoberto antes, mas coisas que não se conhece, explorar novos caminhos que levem a lugares o­nde há coisas para descobrir, como: paisagens, povos, montanhas, desertos, bosques, praias, rios, cachoeiras, planícies, plantas, animais, etc. Existe um mundo de coisas a serem descobertas, é isso que nos impulsiona a sair de casa para explorá-las.

Como se faz uma expedição? A resposta depende da distância que se quer cobrir em um determinado espaço de tempo. Uma expedição terrestre pode ser a pé, em bicicleta, em moto, de carro ou mesmo em um caminhão. Depois de ter feito expedições de moto e de bicicleta, decidimos aumentar o nosso raio de ação e usar veículos equipados para enfrentar qualquer terreno (4 x 4). A opção por este tipo de veículo se deve à possibilidade de poder escolher o destino sem as restrições das estradas em bom estado. As paisagens mais bonitas e as cachoeiras mais atraentes poderão ser atingidas com maior facilidade.

Depois de escolhido o destino é preciso planejar a expedição, o melhor roteiro, a melhor época do ano, etc Para planejar o roteiro e as paradas é necessário consultar mapas, guias, livros e sites da internet. Além disso, é importante conversar com pessoas que já passaram pelos mesmos caminhos, elas podem dar sugestões interessantes que não estão nos guias. Essas pessoas podem ser encontradas pela internet através dos sites de busca. Hoje em dia o GPS (sigla de Global Positioning System) é uma poderosa ferramenta de navegação que deve ser usada em Expedições, no entanto não dispensa os mapas, a velha bússola e nem a experiência de navegação. No Pantanal, por exemplo, o tracklog feito em um ano poderá ser inútil no ano seguinte. A enchente do período das águas apaga todos os “batidos” e novos “batidos” são feitos. O alagado raso de um ano pode ser uma armadilha profunda no ano seguinte. É preciso aprender a ler as marcas deixadas no capim e a respeitar os obstáculos que aparecem à frente. O mesmo vale para os desertos ou as partes menos habitadas da Patagônia. Um importante instrumento de navegação é a paciência e a conversa com os moradores locais. Eles podem dar informações importantes sobre o estado dos caminhos e as suas atrações. Um bate papo no barzinho da cidadezinha do interior ou com o frentista do posto pode revelar as melhores cachoeiras ou praias da região.

Um fator importante para uma expedição é a escolha da época do ano que se quer explorar uma determinada região geográfica. É preciso levar em consideração as estações do ano, a época de chuva ou de seca, a ocorrência de vento, as coordenadas geográficas e a altitude. Por exemplo, é praticamente impossível atravessar de carro o Pantanal da Nhecolandia, MS, na época de chuvas ou cruzar alguns Pasos Andinos durante o inverno. Estas variáveis também influenciam no tipo de veículo, roupas e equipamentos a serem usados na Expedição. Também é muito importante cuidar da alimentação e da hidratação.

De um modo geral, uma Expedição passa por regiões pouco habitadas. Portanto, é necessário estar preparado para se acomodar no que estiver disponível, para a falta de banho quente e para ter que preparar sua própria alimentação. Deve-se levar material de camping, alimentos, etc.

A escolha dos companheiros expedicionários é talvez a parte mais importante e difícil do planejamento. O grupo tem que estar consciente que vai participar de uma Expedição com todas as características mencionadas acima. Uma pessoa que não entenda este espírito poderá perturbar toda a harmonia do grupo. De um modo geral, haverá uma pessoa mais experiente para orientar o grupo, mas com a participação de todos.

Durante a expedição também se determina a velocidade dos deslocamentos, ou as variáveis que definirão as velocidades nos deslocamentos, como por exemplo, a velocidade do veículo mais lento do comboio. O comboio não poderá se deslocar mais rápido do que o veículo mais lento e nem acima da máxima permitida pelas leis locais. O tipo de terreno o­nde o grupo se desloca e o objetivo da Expedição naquela região geográfica também podem influenciar na velocidade dos deslocamentos. Às vezes torna-se impossível parar em todos os lugares o­nde se gostaria, porque isso tornaria o deslocamento muito lento. Por exemplo, no Deserto do Atacama cada curva do caminho reserva uma paisagem maravilhosa que todos gostariam de fotografar. Por outro lado, no Pantanal as paradas para ver e fotografar os bichos são necessárias e freqüentes porque os bichos podem se espantar com o barulho dos motores. Ainda no Pantanal, um comboio de veículos nunca tem prioridade sobre uma “comitiva” de gado, é preciso esperar as mil e tantas cabeças de gado passarem para depois retomar o deslocamento.

Resumindo, há algumas coisas que são 100% previsíveis em uma expedição: a ocorrência de imprevistos, aquela sensação gostosa do “nós fomos lá pelos nossos próprios meios, nós vimos, nós participamos” e uma incrível vontade de planejar as próximas. Ao se aproximar o dia da partida para uma expedição sempre me lembro de uma frase lida em um lameiro de caminhão: “antes eu sonhava, hoje eu nem durmo”.

Marco-A De Paoli e Tércia P De Paoli
Fevereiro de 2005