9º dia (30 de Janeiro): de Kedougou (Senegal) a Aourou (Mali)
A fronteira Senegal/Mali entre Kedougou e Kayes é feita pela natureza, visto que do lado do Mali existe uma falésia (de Tambaoura) que nos acompanha do lado direito de Sul para Norte ao longo do percurso.
De ambos os lados da fronteira existem minas de ouro a céu aberto exploradas e vedadas, onde também existem aeródromos. Cruzaram-se comigo “convoys” de camiões que rebocabam atrelados com contentores onde ia o minério e em que a última vistura era uma 4x4 com pessoal da segurança bem armado.
Uma das particularidades que se nota ao passar do Senegal para o Mali é a proliferação de motociclos como veículos de transporte, sulcando pistas e estradões de terra.
É curioso percorrer pistas de areia quase desertas e ver aparecer de quando em vez um motociclo com o condutor que aparece e desaparece no horizonte.
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Chegado a Aourou, povoação do Mali a uma dezenas de quilómetros da fronteira da Mauritânia, já no lusco fusco, era uma boa opção descansar. Depois de conversar com alguns nativos e de me terem convidado para jantar, relaxei numa longa cadeira junto ao posto de polícia e em amena conversa com algumas pessoas.
Comecei a ouvir uma batucada que me despertou interesse. O motivo desta batucada era o treino dos jovens da escola para participarem no feriado local cujo objectivo deste feriado é cada um dar o seu melhor. A juventude escolr tinha como objectivo no feriado dar o seu melhor na dança. Tenho pena pela povoação não ter energia eléctrica, pois o filme da batucada não conseguiu captar a maravilhosa e energética dança dos jovens. Fiquemos pelo som que a meu ver vale bem a pena nestes três pequenos filmes.
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10º e último dia (31 de Janeiro): de Aourou (Mali) a Nouakchott (Mauritânia)
Pelas 06H45 ainda alvorada recomecei o andamento. O Sol só despontaria pelas 07h30.
Curioso nas povoações islâmicas é o relógio. Às 05H30 começa o altifalante com as orações e a população começa a levantar-se a varrer o terreiro em frentes às casas, para expôr o comércio para venda, ainda à luz da lanterna. Mesmo os talhantes estão a “desmanchar” as peças à luz da lanterna. Nunca vi uma lanterna com fita para pôr na cabeça. Quando precisam de trabalhar com as duas mãos, metem a lanterna na boca.
Uma pista normalmente tem várias faixas de andamento separadas até por dezenas de metros. Porque quando uma faixa de andamento fica mais difícil de transitar, fazem outro trilho paralelo afastado de distância varável. É necessário muita atenção, porque dum momento para o outro pode-se estar num trilho que tenha saído do trilho principal. Várias vezes me aconteceu ter de retormar, voltando atrás, o trilho principal.
A meio da manhã dei comigo noutro trilho que não era o principal. Era um trilho que se via que tinha continuidade, mas não era o principal, porque só tinha marcas de pneus de carroças de burro e de motorizadas. Por outro lado, em vez de seguir na direcção Norte para o posto fronteiriço do Mali com a Mauritânia (Kankossa) estava a seguir a direcção Noroeste. Como este trilho entrava mais rápido na Mauritânia e o GPS tinha a localização de populações, continuei este trilho, entrando “clandestinamente” na Mauritânia.
Ou seja no passaporte não há carimbo de saída do Mali, nem foi feita a entrega do “passe avant” do veículo na alfândega. Diga-se a propósito que nem o tinha, pois ao entrar no Mali em Kéniéba, nem me falaram nisso e como ia custar dinheiro: “para a frente é que é o caminho”.
Ao entrar na primeira povoação da Mauritânia, fui à “Gendarmerie” expôr como tinha entrado na Mauritânia. Ficaram desconfiados e a primeira reacção do polícia foi guardar a metralhadora em outro local, que não fosse eu dar-lhe outro destino. Ou seja não me parece que a princípio estivessem convencidos de que era um turista. A propósito várias vezes me aconteceu ao abordar “no deserto” através de sinais pessoas que iam a passar em motoretas a fim de confirmar a direcção de uma povoação, afastarem-se pois ficavam “inseguras” ao ver só um 4x4 (“artilhado”) com unicamente o condutor. Como levava o hi-lift na bolsa preta, atravessado entre bancos, houve dois polícias que elogiaram a “boa arma” que levava.....
Bem, retomando o posto nesta polícia, avisaram a polícia em “Kankossa” que ia chegar ao posto um português para regularizar a situação de entrada no passaporte e obter o “passe avant”.
De Kankossa segui em estrada (pista até Kiffa). De Kiffa para Nouakchott é sempre alcatrão.
E assim se passaram 10 maravilhosos dias.
Fim da narrativa
Os tracks estão disponíveis aqui
http://www.portugal4x4.com/forum/viewforum.php?f=78
Como despedida:
Ultrapassagem de comboio na Mauritânia ao aproximar-me da fronteira com Marrocos
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e o nascer do Sol em Tan-Tan
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Até breve e ao dispôr para qualquer informação